Arquivo do mês de Outubro, 2008

Ronaldo Fraga na Petit-Pavé

Sábado, 11 de Outubro, 2008

Ronaldo Fraga

Ronaldo Fraga

 

Ele tem aquele jeito mineirinho de ser, carinhoso e doce. Ronaldo Fraga, nosso grande estilista brasileiro, esteve na Petit Pavê para o lançamento da sua coleção Filhotes. Ele desenhou, brincou e posou com os baixinhos na nossa festa, que teve muito algodão doce, pipoca, magia, desenho e uma super mesa de doces, balinhas….bolachas Maria (as preferidas de Ronaldo!)

Confira as fotos.

Maria Luiza

Sábado, 11 de Outubro, 2008

Maria Luiza

Maria Luiza

Ela tem este jeitinho moleca é está sempre alegre e pronta para brincar. Maria Luiza, é filha da nossa amiga e grande maquiadora Fabiane Arcoverde. No dia do Lançamento da Filhotes por Ronaldo Fraga, Maria Luiza vestia uma jardineira super fofa com estampas de bolacha Maria, também do Ronaldo Fraga. Nós adoramos brincar com Maria Luiza. Ela é pura energia!!!!

Entrevista Ronaldo Fraga

Sábado, 11 de Outubro, 2008

Ronaldo e seus filhotes

Entrevista Ronaldo Fraga

Entrevista Ronaldo Fraga

O estilista mineiro Ronaldo Fraga veio à Florianópolis para o lançamento da coleção verão 2009 da linha infantil ‘para Filhotes’. O coquetel, que aconteceu na loja Petit-Pavet, no Kobrasol, reuniu adultos e crianças em um evento que foi uma verdadeira viagem ao universo infantil. Entrevistamos o estilista mineiro, que falou sobre seu lado criança, da infância difícil em Belo Horizonte e da sua relação com seus filhos. Confira!!

Petit-Pavé - Ronaldo, você ainda se sente uma criança?
Ronaldo Fraga - Eu acho que bobo daquele que acredita que nós só temos a ensinar para as crianças. Nós temos muito que aprender. Aprender em que momento nós deixamos de a inocência de lado, em que momento deixamos o humor de lado, em que momento deixamos aquela magia de pegar uma caixa de papelão e conseguir acreditar que ela é um foguete, conseguir acreditar que ela é um caminhão, conseguir acreditar que ela é um nave espacial e que vai te levar pra longe. É aí onde eu sou o Ronaldo criança, e os meus filhos me oxigenaram nesse sentido, além do meu trabalho e fazer uma linha infantil e tentar tirar o melhor de mim preservando meu lado criança.

Tua mãe deixava você escolher as tuas roupas quando criança?
Bom, eu tive uma infância muito pobre, então lá em casa não tinha nem como escolher, porque a gente dependia de ganhar as roupas. Pequenas ou maiores, sempre tinha que fazer uma reforma, sempre tinha que ajustar. Minha mãe morreu quando eu tinha 7 anos, e o meu pai eu tinha 11, então essa coisa de roupa em casa sempre foi uma coisa muito difícil. Eu torcia pro meu pé não crescer porque eu sabia que eu ia precisar do calçado. O calçado já estava apertado, mas eu sabia que não tinha dinheiro pra comprar. De qualquer forma eu falo que tive uma relação viva com a roupa, porque a cada roupa que a gente ganhava ou a cada roupa que tinha condição de comprar é como se fosse um presente de natal.

Você acha importante a criança escolher as próprias roupas?
Eu acho que tem dois lados. Tem uma coisa que eu adoro, e que às vezes os pais não prestam muita atenção, é a criança acordar naquele dia e olhar pra um lençol vermelho e falar assim: ‘a capa que eu preciso do super-homem está aqui’. E ela vai querer amarrar esse lençol no pescoço e vai ficar o dia inteiro com o lençol e vai querer até dormir com ele. Eu acho isso delicioso. O que eu acho ruim é quando a criança se espelha numa celebridade da novela, ou da televisão, extremamente erotizada, e quer se vestir igual. Se vestir igual a Deborah Secco? Isso não é assim.

Tem alguma peça de roupa que marcou a tua infância?
Eu me lembro de uma Conga toda estampada com nomes de todos os personagens do Walt Disney. Era uma conguinha escrito Margarida, Mickey, Pateta, bem divertida. E eu me lembro que numa festa junina da escola era pedido que os alunos usassem um uniforme com os meninos de conga azul marinho e as meninas de conga vermelha. É claro que eu não tinha grana pra poder comprar uma conga só para a festa junina, então eu era o único com o tênis colorido. Na época sofri bastante, porque eu era a diferença ali, né. Mas vejo que muito dessa diferença eu trouxe pra minha vida adulta.

Qual a história que costura a coleção verão 2009 da linha Filhotes?
Eu procuro manter a liberdade da linha Filhotes. Parte da coleção tem o tema da linha de adultos, que foi o Rio São Francisco, mas também tem o espaço para clássicos, porque as crianças crescem, os pais de hoje querem aquela roupa que tinha a estampa de bolacha maria, o pacotinho de sementes que ele viu há um ano atrás, então eu procuro renovar esses clássicos o tempo inteiro. Essa estampa que eu lanço hoje ela pode vira se tornar um clássico dentro da marca, mas ela vem aplicada de uma forma diferente. Nessa estação por exemplo, a bolacha Maria, que já é um clássico, vem sobre o Príncipe de Gales, sobre o xadrez de príncipe de Gales.

E qual era o teu super-herói favorito?
Na minha infância foi super importante a primeira versão do Sítio do Pica-pau Amarelo. Eu acho que aquilo, inclusive eles relançaram agora, o episódio da época ainda com a Zilka Salaberry, Reny de Oliveira, André Valli como Visconde. Eu comprei para os meus filhos e eles estão encantados. Eles assistem o Sítio da minha época e o Sítio deles eu perguntei: ‘e aí, qual vocês preferem?’. E eles disseram que é claro que é o seu, o seu era muito mais legal. Eu morria de medo de eles acharem melhor a nova edição. Então o Sítio do Pica-pau Amarelo e a obra de Monteiro Lobato foram fundamentais na minha formação. Hoje quem eu amo são Os Incríveis. Eu adoro Os Incríveis.

Na tua coleção tem algumas estampas de bolachas Maria. Elas eram as tuas bolachas prediletas?
Todos nós comíamos. Mas quando eu trouxe ela pra coleção não foi nem porque era a bolacha mais gostosa que eu comia. Ela está ali para significar aquele lugar da memória afetiva que eternamente pra mim vai ser harmonioso, vai ser tranqüilo, vai ser quente e vai ser porto-seguro sempre que eu voltar pra lá. 

Quais são as melhores lembranças que você tem da infância?
Teve uma vez que, numa manhã de natal, meu pai foi até o quarto, me acordou e falou assim: ‘vai lá na sala ver se o que Papai Noel trouxe algo pra você’ e eu falei ‘não, eu sei que ele não trouxe nada’. A época era de muita chuva e tinha enchente na rua em que eu morava, então minha casa tava ilhada. Ficava coberta d’água. Eu falei pro meu pai: ‘choveu muito e eu sei que ele não veio’, mas ele insistiu. Quando eu cheguei na sala tinha um velocípede, pra mim e pro meu irmão, vermelho e branco, e meu pai teve o cuidado de enrolar no guidon um pedacinho do algodão, como se fosse a barba do Papai Noel. E eu guardei esse pedacinho de algodão por muitos anos, acreditando, e ainda hoje eu acredito, que foi a barba do Papai Noel.

Você tem dois filhos: Ludovico e Graciliano. Vocês brincam muito juntos?
Bom, em casa nós não temos televisão. Até temos. Temos três aparelhos que não têm TV a cabo. Eu acho que a televisão hoje é extremamente nociva à formação das crianças. E eu moro numa casa, então eles acompanham, me ligam pra falar que o pé de amora tá lotado, as jabuticabas estão maduras, ou que nasceu flor no ipê. Eles brincam muito disso. E é isso que eu acho que é uma infância feliz.